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Empates, empates, empates… Resumo da terceira rodada do Candangão 2016

Marquinhos comemora o gol de empate do Paracatu diante do Sobradinho.

Nada menos que quatro dos seis jogos da terceira rodada terminaram empatados, sendo três deles com um gol para cada lado. Bom para Gama e Luziânia que puderam se isolar um pouco do restante da tabela e ruim para Cruzeiro e Formosa que perderam para os dois primeiros e caíram posições na tabela.

O Brasiliense, que era o líder na segunda rodada, empatou com o Atlético Taguatinga num jogo em que esteve à frente no placar duas vezes (Felipe Assis e Matheuzinho), mas duas vezes cedeu o empate logo depois (Adauto e Lucas Paiva). O jogo mostrou que o Jaguar ainda vai dar trabalho no campeonato, prova disso foi a pressão feita no primeiro tempo em cima do Jacaré, que pode ter problemas quando pegar adversários mais bem qualificados (como os ponteiros da tabela) ao longo do campeonato.

Outro que era favorito e está tendo dificuldades na tabela é o Brasília, que viu o Santa Maria abrir o placar com Maycon mas logo depois conseguiu o pênalti (convertido por Giba) que lhe permitiu empatar a partida. Foi o jogo de estreia do técnico Julinho Camargo, que ainda terá tempo de implementar seu trabalho com vistas a ajustar o time de modo que permita confirmar seu status de favoritismo. Por outro lado a Águia Grená vai dando mostras de recuperação após a goleada na estreia e pode beliscar aí uma das últimas vagas para a fase seguinte.

No dia anterior a estes dois jogos houve mais três que movimentaram o campeonato. No Augustinho Lima o Sobradinho recebeu o Paracatu, num jogo truncado no primeiro tempo, mas que foi mais aberto no segundo. Edicarlos abriu o placar de pênalti no início e Marquinhos empatou, também de pênalti, próximo ao final da partida. Tanto Sobradinho como Paracatu, como times ainda em formação, têm suas qualidades, mas ainda faltam entrosamento e um pouco mais de ousadia para almejar algo mais na competição.

Panorama parecido aconteceu no Abadião onde o Ceilândia dominou o jogo contra o Planaltina, mas não saiu com os três pontos. Filipe Cirne abriu o placar cobrando pênalti, mas acabou cedendo o empate no fim com o gol de Quarentinha. Aparentemente o Ceilândia tem bola para ir longe na competição, mas precisa aprimorar a finalização para evitar sustos e tropeços como o ocorrido no último sábado.

A primeira das duas vitórias ocorreu no sábado no Serra do Lago. O Luziânia abriu o placar com Aldo, viu o Formosa empatar com gol de Amaral e desempatou com Tatuí fazendo o tento que assegurou a vitória e a liderança momentânea, além de manter o 100% de aproveitamento. O Azulino não só dominou a partida como mostrou que tem peças de reposição que garantem a manutenção do bom futebol no segundo tempo, o que é essencial para matar a partida diante de adversários que mostram sinais de desgaste na etapa final.

Mas veio o dia seguinte e o Gama assegurou a vitória diante do Cruzeiro e se igualou em pontos com o Luziânia, mas assumiu a ponta por conta do saldo de gols (6 contra 3). O grande nome do jogo foi Rafael Grampola: o atacante fez os dois gols da partida e se isolou na artilharia do campeonato, caindo nas graças da torcida. A tarefa alviverde não foi das mais difíceis, pois o Carcará além de ter tido poucas oportunidades ainda teve um jogador expulso.

Passadas as três primeiras rodadas os times já tiveram a oportunidade de mostrar suas armas iniciais e goram se voltam para confrontos mais encarniçados. Já na quarta rodada tem o clássico entre Ceilândia e Brasiliense e o derby entre Gama e Brasília. Serão certamente os primeiros grandes desafios dos ponteiros da tabela e serão decisivos para definir quem terá vantagem no decorrer do campeonato.

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Ninguém vai ter vida fácil – resumo da 1ª rodada do Candangão 2016

Fábio Gama comemora o gol que completou a vitória gamense por 3 a 1.

Fábio Gama comemora o gol que completou a vitória gamense por 3 a 1.

Não pensem que porque tivemos times goleando teremos gente disparando na tabela – até mesmo porque terminar a primeira fase um ou dez pontos na liderança dá na mesma. O Candangão começou e pudemos ver que mesmo os times que perderam em algum determinado momento de suas partidas deram trabalho aos adversários.

A exceção é o Santa Maria, que tomou um gol logo aos três minutos de jogo e aí não conseguiu mais se encontrar em campo mesmo tendo tido a oportunidade de diminuir o prejuízo marcando dois gols. Quanto ao Brasiliense qualquer desconfiança quanto ao elenco de 2016 foi dissipada por completo com esse sonoro 5 a 2 na Águia Grená, provando que camisa tem peso sim, mesmo aqui no futebol do DF.

Pode-se dizer que o mesmo aconteceu com o Cruzeiro no dia anterior e no mesmo estádio (o Abadião), só que como o gol demorou um pouquinho mais pra sair (foi aos 18 minutos) ainda pode-se dizer que o Carcará teve aquele momento de estudos que tem em todo primeiro jogo da temporada, onde os times se estudam antes de partir pra cima um do outro. Só que o gol do Ceilândia fez com que o time do Cruzeiro começasse a bater cabeça e permitisse que o Gato Preto chegasse ao placar de 3 a 0 ao final.

Enquanto isso no Augustinho Lima tivemos como destaques não os goleadores, mas aqueles que trabalham para evitar que eles apareçam. Welder, do Leão da Serra e Márcio, do Tsunami do Cerrado foram os protagonistas da reabertura do estádio serrano para o público, que no fim graças ao (muito) trabalho de ambos ficaram sem ver as redes balançarem no confronto entre Sobradinho e Formosa.

No mesmo dia houve outro empate, mas com gols no Serra do Lago, casa que abrigou o confronto entre Brasília e Atlético Taguatinga que deveria ser no Mané Garrincha (falaremos sobre isso em outro post). Os presentes contemplaram tanto o belo gol de bicicleta de Anjinho pelo Colorado quanto o gol originado do contra-ataque e da perseverança do Rubo-negro (que vestia azul em homenagem ao TEC) que desfechou no gol de Gaúcho. Em comum os dois autores saíram do banco para decidir a partida, que segundo os próprios personagens do jogo foi considerado um tropeço do Time do Avião.

Times entraram em campo empunhando faixa de apoio ao combate ao Aedes Aegypti.

Times entraram em campo empunhando faixa de apoio ao combate ao Aedes Aegypti.

Fábio Gama

Fábio Gama

No dia seguinte foi a vez do Gama entrar em campo para receber o Planaltina-GO em sua primeira partida na primeira divisão local. Assim como no Serra do Lago o personagem decisivo da partida também saiu do banco: Fábio Gama e Dodô entraram no lugar de Adriano e Grampola, sendo que este último havia marcado um golaço chapelando o goleiro da Pantera e completando de cabeça após um primeiro tempo que assustou o torcedor alviverde (o visitante havia ido pro intervalo vencendo por 1 a 0, gol de Júlio César). Os dois substitutos mudaram a cara do time e ainda fizeram os dois gols da primeira vitória do Periquito na competição.

Completando nosso giro tivemos a vitória magra do Luziânia em cima do Paracatu com o gol de Aldo aos 8 minutos de jogo. Após isso o Azulino até pressionou, mas não conquistou mais tentos. Chamou a atenção o fato de que o Paracatu só estava com oito jogadores registrados no BID – diga-se de passagem DE NOVO!!! – e teve que recorrer a integrantes dos juniores para poder entrar em campo e não repetir o papelão promovido na primeira rodada do ano passado.

Para todos os torcedores ficou o saldo positivo de que a festa da bola rolando desta vez ocorreu sem percalços que manchassem a competição logo na primeira rodada como nos anos anteriores, e ainda teve a média de gols de 2,83 por partida pra alegrar a galera ainda mais. Com tudo isso e uma campanha equilibrada como esta que está se desenhando temos tudo para ter a melhor disputa do Candangão em anos! É aguardar (e torcer) para ver.

A volta dos saldos altos – Resumo da quinta rodada da Segundona Candanga

Atlético Taguatinga, de camisa nova, reassumiu a liderança.

Atlético Taguatinga, de camisa nova, reassumiu a liderança.

Após os tropeços da semana passada as equipes de Atlético Taguatinga e Paranoá voltaram a espichar o saldo de gols e, com isso, voltaram a figurar na zona de classificação. Apesar disso a dupla não conseguiu se isolar e estão sendo seguidos de perto pela dupla de Planaltinas (do DF e de GO), que, apesar do empate entre as duas equipes estão ali, esperando um tropeço para pegar uma das vagas para a elite.

Ali no meio da tabela estão aqueles que almejam entrar nessa briga do topo. Até tem time para brigar por uma das vagas, mas tropeçaram quando não podiam e se afastaram do topo. Destaque para Guará e Bolamense, o primeiro perdeu um jogo contra um adversário teoricamente fácil (Capital) e se reabilitou na rodada seguinte (Botafogo-DF) enquanto o segundo chegou a estar na zona de acesso, porém perdeu duas seguidas para adversários diretos (Planaltina-DF e Taguatinga) e foi jogado para a sexta posição.

A briga pela elite não deve sair destes clubes, tendo os quatro do primeiro parágrafo como favoritos e os outros dois do segundo correndo por fora. Os demais devem ser relegados a cumprir tabela e isso inclui CFZ e Brazlândia, que venceram na última rodada e se aproximaram do bolo, mas quando ambos enfrentarem os favoritos a realidade deve voltar a bater a porta.

Em campo chamou a atenção não o bom futebol apresentado pelas equipes, mas o péssimo estado dos gramados utilizados, coisa que pelo visto teremos que ficar batendo na tecla a toda crônica escrita aqui. O Augustinho Lima em especial chamou bastante a atenção pelo fato de que os jogadores de Legião e Paranoá não conseguirem dar piques sem levantar bastante poeira.

Futebol de areia no Augustinho Lima.

Futebol de areia no Augustinho Lima.

Se serve de alento tivemos a boa notícia da reabertura do Abadião para a torcida, aliás, o estádio da Ceilândia virou um oásis na cidade: gramado impecável, festa nas arquibancadas… pra ficar melhor só falta construir um novo lance de arquibancadas na lateral dos bancos de reservas e transferir as tribunas para lá (como acontece nos estádios padrão Fifa).

Chegamos quase à metade do campeonato e tudo indica que a briga para jogar na elite em 2016 deve esquentar ainda mais, principalmente quando os ponteiros começarem a se enfrentar. Vai valer a pena aguardar pra conferir, diferente do que pensam os detratores do futebol da cidade, mas isso é assunto para outro post.

A dificuldade de se fazer prognósticos – Resumo da terceira rodada da Segundona Candanga

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Bruno, Gazito, Bahia e Alisson celebram a vitória e a liderança.

Após dois cinco a zero aplicados pelo Atlético Taguatinga os prognósticos apontavam para um percurso de campeonato sem grandes percalços numa segurança que lembraria a campanha do Samambaia na última edição do torneio, que foi conquistado pela equipe auriverde quase sem dificuldade. Brazlândia e Dom Pedro não foram páreo para o novo rubro-negro da cidade e colaboraram para que o até então líder abrisse um saldo de dez gols em apenas duas rodadas.

Enquanto isso o Guará, que tem feito uma bela campanha de divulgação do clube, chamando a cidade para empurrar o time rumo ao retorno à elite (do jeito que dá já que os portões continuam fechados para a torcida), ainda não havia mostrado a que veio. Jogou bem diante do mesmo Dom Pedro que seria goleado na semana seguinte, mas não soube aproveitar as oportunidades que teve e saiu com um empate sem gols. Aí no meio da semana veio o tropeço diante do Bolamense e o descrédito quanto ao sucesso do Lobo começaram a surgir.

Mas nada como uma vitória diante do líder para reforçar a auto-estima das pessoas. Apesar do domínio rubro-negro durante boa parte do jogo e o gol no início do segundo tempo o Guará buscou a virada e conquistou sua primeira virada na competição, que deve fornecer a confiança necessária ao elenco do jovem Pedro Granato para o restante da competição.

Com esta derrota do Taguatinga a liderança passou ao Planaltina-GO, que na manhã do mesmo dia marcou um gol relâmpago e segurou o placar (na verdade poderia ter saído com um placar mais elástico) até o final, se consolidando assim como a única equipe que continua 100% na competição, mostrando que o Tigre vem mesmo como um dos favoritos ao acesso. O Paranoá teve seu primeiro tropeço e seu jovem elenco já terá a oportunidade de se reabilitar diante do Dom Pedro, já que o jogo será mais ameno do que na partida do último domingo.

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Planaltina-GO x Paranoá

No sábado tivemos o único empate da rodada, entre Dom Pedro e Botafogo. O time dos bombeiros marcou um gol importante e tinha tudo pra sair com a vitória, mas vacilou no pênalti cometido que permitiu ao Alvinegro empatar a partida próximo de seu fim. A essa altura do campeonato já é possível afirmar que aparentemente ambos não terão grandes pretensões no certame.

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Dom Pedro x Botafogo-DF

Em outra partida mostrou-se a importância do entrosamento de uma equipe para o sucesso na competição. O Bolamense está disputando a competição com a base do Cruzeiro, que por mais que tenha feito uma campanha modesta na elite agora coloca o time grená na zona de acesso pois são jogadores que se conhecem e tem um tempo de preparação razoável. Isso fez diferença nos dois últimos dois jogos, onde venceu Guará e Brazlândia respectivamente, a conferir como a equipe se sai contra os demais postulantes diretos à vaga na primeira divisão do ano que vem.

Um deles, além dos que foram destacados acima é o Planaltina, que em seu retorno ao lar aproveitou bem as limitações do adversário e com a vitória voltou ao páreo ao vencer o CFZ pelo bom placar de 3 a 0, se recuperando do baque da derrota para o Taguatinga. Isso se mostra suficiente para deixar eletrizante o primeiro encontro entre as duas Planaltinas no futebol profissional que ocorrerá no próximo fim de semana.

Por fim o Clássico do Rock, sem o glamour de quando as duas equipes estavam em evidência (ambos foram recém rebaixados) mas com uma rivalidade de bastidores (os respectivos presidentes eram desafetos até pouco tempo atrás) o Legião se saiu melhor tanto no primeiro tempo onde houve um equilíbrio quanto no segundo onde, estando atrás no placar, o Capital pressionou atrás do prejuízo. Porém mesmo com a vitória a parada será duríssima caso o time laranja queira pretender alguma coisa no certame.

Aqui não há tempo de respirar, nesta quarta e quinta já começa a quarta rodada e as coisas começam a clarear ainda mais com relação a quem tem futuro na competição e quem vai passar a cumprir só tabela.

E o blog torce para que as partes responsáveis pela manutenção e liberação dos estádios se entendam urgentemente, pois os portões fechados vão matar o que resta do futebol profissional no DF. Polícia Militar? Bombeiros? Administrações Regionais? Federações? Clubes? Não interessa quem, mas alguém faça algo para que a torcida possa entrar e prestigiar o futebol local. Não subestimem a força do certame… senão é melhor se preparar para ter de cuidar de outro esporte na vida.

Ricardo Botelho/Ponto Marketing Esportivo

Sobre a campanha colorada na Copa Sul-Americana

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“Não tem futuro”, “Vai jogar só dois jogos”, “Vai ser goleado”, “Time sem série”, etc. Estes provavelmente fizeram parte de diversos comentários proferidos em referência a como seria a participação do Brasília na Copa Sul-Americana, primeira competição internacional a contar com um clube do Distrito Federal. Em resumo os críticos e céticos consideravam que o Colorado não seria páreo para ninguém, a ponto de jornalistas de outros estados se perguntarem “quem teria a sorte de pegar o Brasília”.

Por uma lado era compreensível tal análise, o Brasília disputa um campeonato que não tem nenhum representantes nas três principais divisões do Campeonato Brasileiro e garante a disputa da divisão inferior apenas para seu campeão – e nem isso o Brasília conseguiu pois foi vice por três anos consecutivos. Está sem divisão e não disputava uma partida profissional desde 2 de maio quando perdeu a final do Candangão para o Gama.

Mas quem acompanha futebol sabe que o Brasília não estava ali no gramado do estádio Bezerrão para enfrentar o Goiás por caridade da CBF ou da Conmebol. O time candango venceu a Copa Verde tendo que exterminar um fantasma por fase e levantou a taça após uma épica batalha contra o Paysandu. Ali mostrou sua faceta copeira para todo o Brasil.

Boa parte dos jogadores que disputaram a Sul-Americana estavam naquele 21 de abril de 2014. Querendo ou não o elenco mantinha uma base que, adicionadas umas peças aqui e uma ali, demonstrava uma constância incomum no futebol local, tão afeita a desmontes e remontes de elenco a cada temporada. Por conta disso o time do avião decolou e tem mantido, apesar de algumas turbulências, um voo em velocidade de cruzeiro.

O time começou essa saga diante do Goiás de uma forma um pouco amedrontada, meio que ainda tentando enfrentar o nervosismo pelo momento. Segurou bravamente o empate em um gramado que não colaborava para o bom desenvolvimento do futebol. Talvez as circunstâncias vencidas fizeram com que o Colorado fosse pra Goiânia e jogasse mais solto, mais em busca da vitória, o que fez com que ela viesse naturalmente construída em duas boas jogadas que surpreenderam o Goiás, que certamente estava ali achando que decidiria o jogo na hora que quisesse. Quando viu estava 2 a 0 para os visitantes e a reação se mostrou infrutífera.

Pronto, haviam sido dois jogos, mas já tinha sido o suficiente para todo o país reconhecer a qualidade do elenco vermelho. A passagem de fase fez com que muitos simpatizassem com o clube e torcessem para que o avião alçasse voos cada vez mais próximos da estratosfera. Havia quem já sonhava com confrontos diante do River Plate, atual campeão da Libertadores.

Aí veio o Atlético Paranaense, parada dura pelo fato de estar em uma fase atualmente melhor do que a do Esmeraldino. O jogo em Curitiba, apesar do predomínio do Furacão mostrou um Brasília que chegava bem no campo de ataque, mas que tinha dificuldades em efetuar boas finalizações. Em situações como a que se apresentavam acaba sendo o acaso a decidir o destino de uma partida: as divididas que tiraram Artur e Vitor Hugo e os mandaram para o hospital e, principalmente, o morrinho artilheiro que traiu Welder no gol rubro-negro acabaram sendo decisivos para a classificação dos paranaenses.

Chamou a atenção no jogo de volta no Mané Garrincha o esquema defensivo adotado pelo técnico Omar Feitosa. Segurou o ímpeto dos atacantes adversários, mas deixou o time lento e preso na marcação paranaense. Talvez com um pouco mais de ousadia, semelhante ao que ocorreu no Serra Dourada, o Brasília tivesse saído com uma vitória magra, mas o suficiente para empurrar a decisão para os pênaltis.

No torneio de tiro curto foram quatro jogos, uma vitória, dois empates e uma derrota. Dois gols marcados e um sofrido, ou seja, o Brasília ainda saiu com saldo positivo.

Mesmo tendo parado nas oitavas de final o Brasília saiu maior do que entrou, e conquistou ainda mais o torcedor do DF que se encontra ávida por futebol na arquibancada, longe da frieza da tela plana e do pay-per-view. Quanto ao time, com a grana que arrecadou na campanha, mantendo a base como de costume e selecionado boas peças de reposição seja na base seja investindo em promessas de outros clubes, se credencia como um dos favoritos a sair da fila e finalmente levantar seu nono Candangão. Se no papel isso se concretizará só o tempo irá dizer.

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Briga de foice sem testemunhas – Resumo da primeira rodada da Segundona Candanga

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Já ouviu aquela pergunta “Se uma arvore cai numa floresta e não tem ninguém por perto, ela faz barulho?”? Infelizmente foi a sensação que deixou a primeira rodada do Campeonato Brasiliense da Segunda Divisão. Depois de quase dois meses da primeira data prevista para começar finalmente a bola rolou para os aspirantes por um lugar na elite do futebol distrital. Contudo, depois de todos os esforços realizados para que se tivesse a disponibilidade das praças esportivas para que se recebesse os jogos com torcida – e olha que teve bastante gente e instituições envolvidas, foi divulgado na noite da véspera do pontapé inicial que nenhum jogo da primeira rodada poderia contar com espectadores. Uma ducha de água fria em quem estava empolgado para acompanhar o certame.

E não se pode aqui subestimar a quantidade de interessados em assistir o torneio só por se tratar de uma divisão de acesso. O Guará mesmo, que enfrentaria o Dom Pedro no Serejão (o que já é um prejuízo visto que o time não pode contar com o Cave), anunciou fartamente a venda de ingressos e ações promocionais para atrair a torcida e no fim das contas acabou sendo tudo inútil. Não tem como atrair investidores pra um futebol que ninguém vê além dos jogadores, arbitragem e imprensa.

Mas vamos falar de bola rolando que é o que interessa. Se a primeira impressão é a que fica, os clubes meio que puderam mostrar cada um a que veio, obviamente considerando que alguns elencos ainda podem evoluir ao longo do campeonato. Nesse quesito o elenco aurinegro do Guará mostrou que tem qualidade no passe e consegue avançar para a área em velocidade, só faltando saber como finalizar. OK que o Dom Pedro demonstrou exaustão ainda no primeiro tempo, mas no segundo mostrou capacidade de se recompor e ameaçar a empolgação do Lobo por meio de contra-ataques perigosos.

Neste período de seca é importante que a FBF evite marcar jogos nesse horário das 10h. Os jogadores sofrem além da conta com o clima seco e o sol a pino e isso compromete o desempenho de todos no gramado.

Na tarde de sábado ocorreu a partida que era pra ser no Mané Garrincha, mas acabou no Bezerrão. Até mesmo por conta da mudança repentina não foi emitido alvará e Legião e Planaltina-GO jogaram sem público. O time goiano soube aproveitar dos bons momentos que teve durante o jogo e venceu o time roqueiro por 2 a 0, iniciando a disputa com o pé direito.

Aliás, sábado foi o dia dos Planaltinas. Na mesma hora no Abadião o Planaltina-DF voltava a uma competição oficial após 20 anos de inatividade, e voltou com o pé direito. Apesar do Capital, que foi umas das últimas equipes a se reunir para o torneio, ter aberto o placar e assustado o adversário o time alvirrubro teve paciência para virar a partida com belos gols e construir a vitória por 3 a 1. Se falta habilidade aos jogadores do Galo, sobra disposição, e isso pode ser decisivo nas pretensões do time em busca do acesso.

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O Planaltina EC está de volta.

No dia seguinte todos os jogos foram á tarde, e duas carretas – uma rubro-negra e a outra auri-anil – saíram desembestadas atropelando seus adversários. O estreante Atlético Taguatinga (Ex-Atlético Bandeirante) sapecou em sua primeira partida com a nova identidade uma goleada de 5 a 0 em cima do Brazlândia. Jogadores conhecidos como Edicarlos e Alcione deixaram sua marca e mostraram quais as armas que o novo time tem para ter sucesso no campeonato.

Já a fórmula do Paranoá é outra. Utilizando a a base do Brasília que se sagrou campeão de juniores neste ano e que se prepara para disputar a Copa São Paulo a Cobra Sucuri já começou no certame abocanhando sua primeira vítima goleando o CFZ também por 5 a 0. Se o trabalho nas categorias de base do Colorado continuar com o nível de excelência habitual o Paranoá é um grande favorito ao título.

O jogo que encerrou a rodada teve uma situação inusitada: O Botafogo-DF vencia o Bolamense por 1 a 0 quando o lateral esquerdo alvinegro Max sofreu um choque e teve que ser levado pela ambulância da partida. A partida só foi retomada após 40 minutos quando o veículo retornou ao Abadião. No fim o Bolamense arrancou o empate aos 40 minutos do segundo tempo e levou pelo menos um ponto pra casa.

O que ficou demonstrado ao fim da rodada é que a briga para estar na elite candanga vai ser acirrada, uma briga de foice duríssima. Os times que venceram já se apresentam como favoritos, mas os que empataram – principalmente o Guará – ainda terá tempo para mostrar serviço.

Como a competição durará pouco mais de um mês já terá rodada nesta quarta-feira novamente, mas infelizmente todos os jogos serão no fatídico horário de 15:30. Fica aqui a torcida do blog para que todos os agentes envolvidos na manutenção e liberação dos estádios finalmente venham a falar a mesma língua. Ouvimos promessas de representantes da FBF que pelo menos Abadião e Serra do Lago estariam prontos, então fiquemos a conferir.

Jogos da próxima rodada:

Placar Candangao 2ª 2015 2

A dor de mais um insucesso do futebol do DF

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A eliminação do Gama da Série D do Brasileirão com o empate sem gols contra o Botafogo-SP fechou o ano em que o Alviverde, excetuando a reconquista do título máximo do futebol do Distrito Federal, ficou marcado por desclassificações com requintes de crueldade. Na Copa São Paulo de Futebol Junior os meninos do Periquito fizeram excelente campanha, mas ficaram de fora da fase seguinte por conta dos cartões amarelos. Na Granada Cup, que só tinha dois jogos, os dois alviverdes do Centro-Oeste (o outro era o Goiás) terminaram com a mesma quantidade de pontos, mas o que decidiu o título a favor do Esmeraldino foi um cartão vermelho tomado por Dudu Gago no confronto entre as duas equipes.

Foi o mesmo roteiro no último domingo, onde ao fim do jogo o time candango e o paulista terminaram com a mesma pontuação, mas com a Pantera avançando na competição por ter três gols de saldo a mais do que o Periquito.

O fator que foi decisivo para a classificação de um e a eliminação de outro tem nome e sobrenome: Villa Nova Atlético Clube. O time mineiro terminou na última colocação geral da competição com apenas três pontos conquistados, oriundos de uma única vitória conquistada contra alguém que todos que estão lendo este texto sabem quem foi.

Enquanto isso o Botafogo quando recebeu o Villa em casa lhe aplicou um 5 a 1 sem dó nem piedade.

Insucessos na competição nacional que garante aos quatro primeiros um calendário completo para o ano seguinte viraram rotina para o futebol do Distrito Federal, que teve com último acesso de um clube local a dupla promoção de Brasiliense e Gama no já longínquo 2004 quando o primeiro subiu à Série A como campeão da B e o segundo subiu à B como vice da C. De lá pra cá ambos vieram ladeira abaixo e acabaram sem divisão.

Não preciso nem mencionar todos os outros times que tentaram seguir o mesmo caminho da dupla Verde-Amarela que não passaram sequer da primeira fase da divisão inferior do Futebol Brasileiro, virou meio que um tabu a conquista de um lugar ao sol no cenário nacional diante de tantos insucessos.

O exemplo do Gama evidenciou mais uma vez: não há margem para erros na Série D. Nenhum. Diferente do Candangão que você tem de dez a onze jogos para ganhar uma entre oito vagas, na Série D são só duas vagas, disputadas entre campeões estaduais de todo o país que se encontram em nível mais ou menos parelho, por isso os detalhes são tão mais importantes.

Percebam, não estou criticando a campanha do Gama, pois o time achou um bom jogador de frente (Jonatan Reis) que será de grande valia no ano que vem na busca pelo bi distrital. O time tinha lá suas falhas mas estava longe de ser ruim, tanto que se tivesse vencido o Villa jogaria contra o CRAC podendo alcançar a liderança para folgar descansado quanto às chances de classificação.

Não pode haver desmanche da base e jogar fora todo o planejamento construído no primeiro semestre que culminou com o título local. obviamente algumas peças, principalmente as contratações que não acrescentaram ao elenco como Luan e Carlos André. Alekito não agradou a torcida, mas por conta de seu histórico pode ser dada uma chance para que, entrosado com os demais, possa reencontrar seu bom futebol. No fim fica o registro de que os que chegaram não conseguiram suprir a ausência daqueles que saíram, principalmente Lenílson e Tiago Gaúcho.

Não sabemos ainda quem ganhará o Candangão ano que vem, mas seja lá quem for tem que investir na competição como se fosse a mais importante de sua vida, e cada jogador deve agir como dizia Neném Prancha: como se a bola fosse um prato de comida.

Ao Gama resta a oportunidade fazer boa campanha na Copa Verde de 2016 e buscar trilhar o caminho que o Brasília está seguindo nesse momento em que disputa a Sul-Americana e tem todos os holofotes apontados para si.

Mas não custa lembrar, inclusive a esse mesmo Brasília: Se a Série D é de tiro curto, a Copa Verde por ser mata-mata é de tiro curtíssimo.

Fica como maior herança de 2015 a saga da torcida alviverde para primeiro empurrar o time em busca do fim do jejum e depois para seguir o time em Xerém, Nova Lima, Catalão e Ribeirão Preto. Essa garra não pode esmorecer com o insucesso gamense e tem que permanecer no ano que vem, para que se consolide a idéia na cidade de que o DF tem sim futebol, independente do que se conquista ou não.

P.S.: O editor deste blog esteve muito ocupado no trabalho e pede desculpas aos leitores pelo atraso no texto.